quarta-feira, outubro 10, 2007

Vazio...

Não consigo deixar de me sentir vazio, oco,
Deixando-me trespassar por tudo o que é negativo,
A hipocrisia, o cinismo dos outros,
Sentir-me errado quando julgo estar certo,
Sentir-me rejeitado quando penso ser amado,
Sentir-me gozado quando sinto ser respeitado.
Caminhe por onde caminhe,
Seja qual fôr a direcção,
Seja qual fôr o destino,
Volto sempre ao mesmo local,
Ao mesmo vazio,
À mesma incerteza,
À mesma impotência,
O mesmo peso nos ombros,
A mesma infelicidade,
Que me acompanha madrasta,
Quanto mais tento agradar,
Integrar-me,
Mais rejeitado sinto,
Mais isolado,
Incompreendido,
Procuro a luz na escuridão,
Que me cerca e afaga,
Que alimenta toda a minha tristeza,
Em vão,
Tão somente só,
No meio desta multidão,
Que me rodeia e ignora,
Indiferente,
Ausente,
Perdido,
Sem rumo,
Sem força para lutar,
Sem....

Reciprocidade...

Numa relação, utopicamente espera-se sempre reciprocidade em igual quantidade e intensidade.

Digo utopicamente porque na realidade é um estado muito dificil de alcançar. Primeiro porque não existem dois seres humanos iguais, com as mesmas necessidades, forma de estar na vida ou numa forma mais simples que atribuam o mesmo significado ou intensidade de sentimentos às mesmas coisas.

Dei por mim a pensar que esta será talvez umas das explicações para o insucesso de uma relação nos dias de hoje, a diferente intensidade com que se vivem certos momentos das nossas vidas, a incapacidade de traduzir em palavras ou gestos o quão importante certo momento ou gesto é importante, caindo inevitavelmente, após prologada exposição, a um certo autismo entre as partes.

Ou pela incapacidade de explicar o que se sente ou pela incapacidade de compreender o que o outro sente.

Tudo começa a acontecer como se de uma avalanche se tratasse, deixam-se os gestos mais simples de carinho, evitam-se as discussões, acabam as conversas até chegar a um estado de puro autismo em que ninguém fala, em que toda a cumplicidade desvanece, todo o sentimento esmoreçe restando apenas um enorme vazio.

Esta será então uma consequência da diferente reciprocidade entre duas pessoas que se gostam e que por vezes, ou sempre, sofrem de momentos menos bons que se não os conseguirem resolver poderão resultar numa inevitável separação.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Geração SMS...

Dei por mim a pensar na geração de hoje, a chamada geração SMS e apercebi-me do abismo para onde caminhamos.

Já não sabem escrever, segundo se diz, mas é alarmante quando já nem rir sabem!!! (LOL)

quarta-feira, setembro 19, 2007

Portugal em grande...

Adoro o novo código penal, sim senhor, um pedaço de leis muito bem construidas, só possivel num país como o nosso como é obvio.

De tanto querer ser inovador, pessoalmente penso que ficou a metade do caminho, senão vejamos...

Pelo novo código as medidas de coação a aplicar devem ser as mais favoráveis aos arguidos.

Tendo como arguído, alguem que alegadamente é responsável por uma determinada infracção à lei, como por exemplo, ter cometido um crime, seja ele de que espécie fôr.

Ok, (não) acho bem, mas porque não elevar as coisas ao próximo nivel?

Para já era transformar as prisões em unidades hoteleiras especiais, com room-service, empregadas de limpeza, etc.

Em segundo modificar todas as celas e torná-las o mais confortável possível, atribuindo-lhes categorias de conforto e quem tivesse as penas maiores teria os "quartos" melhores.

Os directores das prisões passavam a ser gestores hoteleiros, gerindo taxas de ocupação e criando promoções quando estas se encontrassem abaixo do desejável.

Tudo seria muito mais apelativo e qualquer meliante desejaria ser apanhado em flagrante.

Era vê-los a competir para ver quem apanhava as maiores penas como forma de ficar com os melhores "quartos", tendo inclusive a possibilidade de escolher qual o estabelecimento para onde ir, de acordo com a época e promoções.

Esta ideia surgiu-me porque não consigo deixar de pensar que todas estas medidas polémicas do novo código penal são uma preparação para o futuro que se aproxima.

Criar condições para que todos os políticos corruptos que mais cedo ou mais tarde, ou talvez não, paguem por tudo o que têm feito, mas beneficiando de todas as condições favoráveis que estão a ser criadas agora pelo novo código.

Assim continuariam a beneficiar de todas as regalias que usufruem agora, mesmo estando presos.

Tudo suportado pelos nossos impostos claro.

Uma vez sanguessuga sempre sanguessuga, ou deveria baixar o nível e considerar a hipotese de usar a palavra "chulo"?!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Ah pois é...

Ao viver num país que só se indigna quando as coisas não funcionam ou não correm bem, não deixa de ser engraçado ver reportagens na TV a limpar a imagem da marinha, apenas porque ha umas semanas atrás toda a gente os criticava e apontava o dedo.

É claro que quando tudo corre bem não é necessário noticiar, não dá audiência!!

Felizmente os casos que correm mal são poucos....

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Sem margem para dúvidas...

Citando os grandes Gatos fedorentos :

"Fazer abortos em condições absoluta e completamente inpensáveis - SIM"

"Fazer abortos usando o Serviço Nacional de Saúde com todas as condições necessárias - NÃO"


Contra factos não ha margem para argumentos!!!

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Desabafos...

Vivemos numa cidade hipócrita e cínica,
em que cada um puxa a brasa à sua sardinha,
mantendo uma fachada para cada situação,
sempre com o intuito de sacar o máximo aos outros,
sempre em proveito próprio,
apoio a ideias retrogadas em nome de um deus qualquer,
mas é so fachada, pois as atitudes correctas,
ficam entre as paredes de uma igreja qualquer,
na rua que vença o melhor, venha a nós e os outros que se lixem,
personalidades contra o aborto,
personalidades a favor,
mas quando toca a todos,
é o dinheiro que fala mais alto,
não olham a meios e se tiverem que faze-lo, fazem-no,
porque podem,
porque querem,
porque estão acima das leis,
essas leis que só se aplicam ao pobre e desfavorecido,
ao que trabalha de sol a sol para ter o que comer,
todos se queixam,
uns porque correm o risco de perder as regalias que usufruiram durante toda a vida,
segurança no emprego,
impossibilidade de ser despedido,
precaridade no desemprego? irrealidade ou utopia?,
coisa de pobres,
coisa de quem não tem cunhas ou padrinhos,
coisa de quem tem que se submeter aos designios e despotismo de um patrão qualquer,
que se julga o rei deste e de outro mundo,
que manieta e joga com a vida de quem para ele trabalha,
sem pudores,
sem problemas de consciência,
sempre o lucro como primeira prioridade,
se hoje forem 100 para a rua,
se amanhã forem 200,
o que interessa é o lucro,
acumular riqueza,
sem respeito nem preconceito,
abuso sobre os direitos de cada um,
abuso sobre crianças ingénuas e desprotegidas,
uns por incapacidade de entender,
outros porque sempre viveram assim e cresceram assim,
comportamentos e costumes que deviam mudar,
mas que são aceites como normais,
a não ser que apareçam na tv, mediatizados,
com manifestações de repudio,
manifestações de apoio,
dividem-se as opiniões,
divide-se o povinho,
enquanto pensam no que matou ou abusou,
não olham para a conta bancária,
não se lembram que têm fome,
que têm frio,
que por mais que se esforçem,
só os grandes é que engordam a olhos vistos,
uma vez pobre, sempre pobre..............

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Hipocrisia...

Dois posts num só dia, pensam vocês?!

Sim, teve que ser, principalmente quando estamos praticamente a um mês do referendo para a descriminalização do aborto.

Antes de mais quero deixar bem claro que sou contra o aborto.

Dito isto, gostaria de chamar a atenção para o facto do referêndo não ter rigorosamente nada a ver com o facto de fazer ou não abortos.

Aos olhos da opinião pública mais incauta tudo parece indicar que sim, a questão em cima da mesa é permitir ou não fazer abortos.

Mas infelizmente essa não é a questão fundamental, a questão fundamental é permitir quem não tem a possibilidade de ir faze-los noutros paises ou em clínicas privadas altamente equipadas, que os possam fazer com um mínimo de cuidado de saúde indispensável.

Sim, a questão é mesmo essa, permitir ou não, que uma pessoa comum, que possua um fraco rendimento, possa usar o sistema de saúde portugues para realizar a paragem de uma gravidez.

Porque quer queiram quer não, quem tem dinheiro sempre abortou, aborta e abortará e não ha nada que possa mudar isso.

Resumindo, sou contra mas vou votar a favor, tudo o que possibilite fechar clínicas ilegais e evitar que pessoas sem um mínimo de conhecimentos ou capacidades técnicas continuem a prejudicar e a colocar em risco a vida de quem se sujeita a esse tipo de práticas.

A consciência de tais actos fica com quem os comete, para mim já é dificil ter que lidar com a minha própria consciência.

Deixem de se deixar iludir com campanhas hipócritas e abram os olhos para o verdeiro problema....

Decência...

Num país em tumultuosa mudança, em que todos os dias assistimos a coisas a fechar e coisas a mudar, umas para melhor outras para pior, 90% dos casos para pior, não posso deixar de indignar-me com o encerramento dos SAP.

À pois é, muitos deles vão encerrar, em nome de cortes orçamentais e outros que tais, a bem da baixa do défice.

Fecham-se serviços que sempre tiveram um papel fundamental durante a sua existência na ajuda às populações, facilitando o acesso aos cuidados de saúde e evitando na grande maioria das vezes o aumento da propagação das doenças e ajudando a descongestionar as urgências dos hospitais.

Mas claro, como a culpa do défice é nossa, nós que trabalhamos de sol a sol para conseguirmos pagar todos os impostos e suportar todos os aumentos e mais alguns, sejam estes decretados pelo governo, sejam decretados pela UE.

Sim porque do ministro que não fez nada enquanto ministro, ou em casos extremos, ainda fez pior do que se não tivesse feito nada, esse não tem culpa rigorosamente nenhuma.

Claro que agora, em nome da baixa radical do défice, vamos todos passar 6 ou 7 horas nos bancos das urgências até sermos atendidos e como bonus ainda trazemos uma ou duas novas doenças para alegrar as nossas existências.

Fecham-se os SAP mas aumentar o número de efectivos nas urgências dos hospitais, tá quieto oh abelha, não se pode porque seria aumentar os custos e não podemos faze-lo a bem da baixa do défice.

Assim, só me resta esperar não ficar doente nos próximos tempos e deixar os cuidados de saúde para quem realmente precisa.

Começo seriamente a pensar se não seria melhor abrirmos falência e vender o país em asta pública.

Não sei, é uma ideia....

segunda-feira, março 20, 2006

Portugal Solidário ...

Pois é meus amigos, venho apelar aos vossos corações!!

Vamos unir-nos e ajudar um artista português necessitado.

Vamos deixar entrar em nós o espírito solidário, que emana de estações de tv como a TVI, vamos ser caridosos e adoptar um artista português.

Levemo-lo para casa, lavá-lo e alimentá-lo, arranjar uma cama quente, quem sabe ao lado do sofá na sala de estar, levemo-lo à rua, pelo menos três vezes por dia e ao fim de semana uma ida ao campo para deixa-lo correr à solta e rever os amigos que não tiveram a sorte de ser adoptados.

Posso estar a ser irónico, mas nos dias que hoje correm, não posso deixar de me indignar quando constato que estão a ser criados todo o tipo de programas televisivos que servem de tábua de salvação a pseudo-artistas sem sucesso no nosso universo nacional.

A dignidade, meus amigos, é algo que deve ser preservado a todo o custo. Chamem-me antiquado se quiserem mas prefiro arrumar carros a passar por bobo da corte em reality shows, sou estúpido, é o que é, pelo menos sou forçado a admitir que posso estar redondamente enganado, pois as evidências indicam que mais vale um palhaço rico que um pobre integro.

Apelo ao regresso da Cristina Caras Lindas, essa pelo menos procurava os mais necessitados e de alguma forma tentava ajudar quem realmente precisava, como forma de atingir a fama?! talvez sim, talvez não, o mais importante é que ajudava quem pouco ou nada tinha.

Agora, ter de assistir à degradação de uma Júlia Pinheiro, que está para a madre Teresa como o George Bush está para uma criatura inteligente, a elevar artistas decadentes como se fossem a prata da casa, como se fossem a melhor coisa que temos em Portugal, convenhamos, é deprimente.

Se considerarmos que no nosso universo televisivo não temos nada realmente interessante para ver desde as 18h à 1h da madrugada, com raras excepções para o canal 2 e ocasionalmente para a rpt1, não admira que toda a gente procure séries estrangeiras, quer seja nos canais cabo quer seja em downloads ilegais na internet, tudo para fugir à estupifidicação de massas que assistimos diáriamente.

Depois admiram-se que os putos andem vestidos como rappers americanos e as miúdas cada vez mais despidas de preconceitos, que o respeito pelos outros esteja no nível mais baixo da história, que o civismo seja pura ficção, para mim, os filhos são reflexo dos pais que têm, os portugueses são reflexo do país que têm.