sexta-feira, fevereiro 15, 2019

A justificativa da negação


Vivemos numa época em que o Sim é tacitamente aceite sem margem para dúvidas, mas o Não, não é bem assim.

Um Não é categoricamente ofensivo se não for correctamente justificado, obrigatoriamente complementado pelo politicamente correcto.

Um Não puro e duro é de difícil digestão, mal interpretado, impossível de aceitar quando não suavizado por uma explicaçãozinha, um comentário, um acalmar das hostes.

Um Não vem hoje em dia acompanhado de um sentimento de anti-social, de uma autoexclusão de um mundo e uma vida que se requer global, de um individualismo nefasto e retrogrado.

Mas no fundo da questão, um Não devia ser isso mesmo, um não, sem lugar para margem para dúvidas, sem questões ou incertezas, devia ser claro, aceite pela sua simplicidade.

Principalmente quando é com o Sim que nos devíamos preocupar, que deveria ser questionado e desconfiado.

É o Sim que nos traz maioritariamente problemas, por ser tido como inconsequente quando a realidade é exactamente o contrário.

Sim devia vir sempre associado de uma reflexão pessoal, de um pesar na balança, de uma ponderação, da responsabilidade e responsabilização por se assumir um compromisso e acima de tudo aceitar as consequências que dai advem.

Se todos aceitássemos o Não pelo que é, sem tentar sempre que seja um Nim e desconfiássemos ou questionássemos sempre que alguém nos da um Sim, todos sentiríamos a responsabilidade das nossas decisões e a responsabilidade pelas consequências das mesmas.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Preciosismos....

Preciosismo:
s.m. Modo de dizer ou de fazer, que não só não é natural, mas até forçado no falar e no escrever; Modo de dizer ou de fazer, que não só não é natural, mas até forçado levado ao exagero.

Irrita-me o exagero, irrita-me a importância que se dá ao pormenor, ao acto que levou a determinada consequência. Acho pura perca de tempo, para mim as coisas podiam ser muito mais simples. Irrita-me esta necessidade dos nossos dias em tentar perceber tudo, justificar tudo e analisar tudo.

Sinto falta da simplicidade dos meus tempos de infância/adolescência em que tudo era simples, falhava na escola arricava-me a apanhar umas reguadas da professora para que no dia seguinte chegasse com a lição estudada, arriscava-me a apanhar em casa por não ter estudado a lição, tudo de uma forma analiticamente simples, não havia a necessidade de tentar compreender porquê que não tinha estudado, nem de justificar o acto de não ter estudado pelo facto de passar muito tempo só em casa sem orientação paterna. Tudo era simples existiam obrigações pelas quais tinha que ser responsável e caso não cumprisse com as minhas obrigações existiam consequências que iam desde a pequenos castigos ao estalo ou açoite.

Parece ser um pouco rude esta forma de experienciar a vida mas de facto e a bem da verdade é que funcionava, durante uns tempos não ia mais esquecer-me de estudar, sentia-me responsável por não te-lo feito.

Ao tentar justificar e analisar tudo o que acontece-nos no dia a dia perdeu-se a responsabilização sobre os actos que se cometem, "o menino não estudou por culpa do papá que está sempre fora a trabalhar", "o menino não estudou porque haviam ovos estrelados para o jantar", podendo levar isto até ao ridículo mas o que é um facto é que "o menino não estudou porque foi preguiçoso e esteve-se nas tintas e aí que tabefes merece apanhar!!".

Irritam-me as noticias em que se esmiúça a vida dos criminosos para tentar justificar ou perceber o que os levou a praticar tais actos de violência ou malvadez, em que se esmiúça a vida das vitimas para tentar perceber se no seu dia a dia não terá feito algo que tivesse levado a tal consequência, tentando analisar e justificar tudo, quando para mim tudo devia ser muito mais simples, matou, morreu, vai preso para a o resto da vida, simples!, não quero saber se tinha 20 filhos ou vivia em barracas porque existem outros tantos nas mesmas condições que optam por levar uma vida decente e isenta de crime.

Irrito-me mas na minha idade a irritação depressa se transforma em indiferença e rapidamente deixa de ocupar o meu cérebro e cai no esquecimento.

terça-feira, junho 30, 2009

Ser ou não ser...

Não sou muito dado a estas coisas, principalmente quando a minha musica de eleição é o metal, mas gosto de ver quando um artista demonstra que até é capaz de mostrar que não é a fraude de estudio que se pensava.

http://www.youtube.com/watch?v=oP8SrlbpJ5A

Quando nos enganam todos os dias com tudo em mais alguma coisa, desde a melhor gasolina até à melhor margarina ou iogurte, com ou sem bifidus activus, sinto orgulho quando algo acaba por me surpreender pela positiva e foi o case deste video em que a artista Lady GaGa faz um unplugged numa radio local.

Sinto-me bem ao pensar que afinal ainda existem pessoas capazes, seja em que área profissional fôr.

terça-feira, abril 01, 2008

Civismo...

Civismo, aquilo que todos esperam que tenhamos por eles mas que são incapazes de ter por nós!!

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Perfumes...

Começando por desejar a todos um optimo 2008 e aproveitando esta época de rescaldo natalício deparo-me com um dilema que penso ser comum a muitos homens, como comprar um perfume?!

Aparentemente parece ser uma tarefa simples, mas se forem como eu que tenho alguma dificuldade e pouca aptidão para decorar nomes de marcas, isso pode ser um entrave considerável.

Pensei então que talvez devesse usar a minha memória visual, que dizem permitir obter melhores resultados na memorização. Eis que me deparo com outro obstáculo, a grande maioria dos anuncios sobre perfumes para homem, principalmente os anuncios em revistas, só tem homens nas fotografias.

Não me estou a ver chegar à perfumaria e pedir o perfume que tem um "giraço" alto e espadaudo em boxers e com abdominais definidos, partindo do principio que iria conseguir memorizar todas estas caracteristicas sobre a imagem de um homem. Seria muito mais fácil se os anuncios tivessem carros de rallye ou F1 ou motos de alta cilindrada, muito mais fácil chegar e pedir o perfume do Ferrari ou da Honda e sem dúvida muito mais fácil para memorizar.

A minha ideia até podia ser uma boa ideia se não existisse um obstáculo definitivamente inultrapassável, o facto de 99% dos empregados das perfumarias serem mulheres!!!

Enfim, tenho que viver conformado em usar sempre o mesmo perfume que escolho pelo cheiro sempre que o último frasco acaba, sim porque um homem só tem mais que um perfume se alguém teve a feliz ideia de lhe oferecer algum, porque de outra forma é usar um de cada vez até que acabe.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Os novos traficantes...

Levando em linha de conta as novas regras a aplicar já no início de 2008 por parte da ASAE, passo a transcrever algumas das mais brilhantes :

"Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico."

"Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido."

"Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido."

"Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido."

"Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais."

"Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género."

"Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação."

"Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda."

"Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido."

"As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas."

"O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados."

Enfim, é "fartar vilanagem!!!".

Já estou a ver o tráfico que por ai vem. É esconder em armários falsos os croquetes e rissóis, o presunto e o chouriço caseiro.

Na rua em lugar de "chamon", que como é do conhecimento publico é mais facil de adquirir que o tabaco normal, já que as policias só se preocupam com os ditos "grandes", aqueles que fazem noticia nos jornais e tvs, passamos a poder comprar Bolo Rei, mas do genuíno, com fava e brinde ou quem sabe uns pastéis de bacalhau ou uma açordazinha de marisco, tudo começa a ser válido no contrabando.

Ou como já fazem os narco-traficantes, portas de ferro blindadas com umas aberturas pequenas para passar a dose de rissol ou de pastel de batata doce.

Enfim, identidade cultural para quê?

Depois do último exemplo de educação do nosso Primeiro Ministro, que deixa de cumprimentar o colega para ir lamber a mão de um bife qualquer, já podemos esperar de tudo neste país.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Vazio...

Não consigo deixar de me sentir vazio, oco,
Deixando-me trespassar por tudo o que é negativo,
A hipocrisia, o cinismo dos outros,
Sentir-me errado quando julgo estar certo,
Sentir-me rejeitado quando penso ser amado,
Sentir-me gozado quando sinto ser respeitado.
Caminhe por onde caminhe,
Seja qual fôr a direcção,
Seja qual fôr o destino,
Volto sempre ao mesmo local,
Ao mesmo vazio,
À mesma incerteza,
À mesma impotência,
O mesmo peso nos ombros,
A mesma infelicidade,
Que me acompanha madrasta,
Quanto mais tento agradar,
Integrar-me,
Mais rejeitado sinto,
Mais isolado,
Incompreendido,
Procuro a luz na escuridão,
Que me cerca e afaga,
Que alimenta toda a minha tristeza,
Em vão,
Tão somente só,
No meio desta multidão,
Que me rodeia e ignora,
Indiferente,
Ausente,
Perdido,
Sem rumo,
Sem força para lutar,
Sem....

Reciprocidade...

Numa relação, utopicamente espera-se sempre reciprocidade em igual quantidade e intensidade.

Digo utopicamente porque na realidade é um estado muito dificil de alcançar. Primeiro porque não existem dois seres humanos iguais, com as mesmas necessidades, forma de estar na vida ou numa forma mais simples que atribuam o mesmo significado ou intensidade de sentimentos às mesmas coisas.

Dei por mim a pensar que esta será talvez umas das explicações para o insucesso de uma relação nos dias de hoje, a diferente intensidade com que se vivem certos momentos das nossas vidas, a incapacidade de traduzir em palavras ou gestos o quão importante certo momento ou gesto é importante, caindo inevitavelmente, após prologada exposição, a um certo autismo entre as partes.

Ou pela incapacidade de explicar o que se sente ou pela incapacidade de compreender o que o outro sente.

Tudo começa a acontecer como se de uma avalanche se tratasse, deixam-se os gestos mais simples de carinho, evitam-se as discussões, acabam as conversas até chegar a um estado de puro autismo em que ninguém fala, em que toda a cumplicidade desvanece, todo o sentimento esmoreçe restando apenas um enorme vazio.

Esta será então uma consequência da diferente reciprocidade entre duas pessoas que se gostam e que por vezes, ou sempre, sofrem de momentos menos bons que se não os conseguirem resolver poderão resultar numa inevitável separação.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Geração SMS...

Dei por mim a pensar na geração de hoje, a chamada geração SMS e apercebi-me do abismo para onde caminhamos.

Já não sabem escrever, segundo se diz, mas é alarmante quando já nem rir sabem!!! (LOL)

quarta-feira, setembro 19, 2007

Portugal em grande...

Adoro o novo código penal, sim senhor, um pedaço de leis muito bem construidas, só possivel num país como o nosso como é obvio.

De tanto querer ser inovador, pessoalmente penso que ficou a metade do caminho, senão vejamos...

Pelo novo código as medidas de coação a aplicar devem ser as mais favoráveis aos arguidos.

Tendo como arguído, alguem que alegadamente é responsável por uma determinada infracção à lei, como por exemplo, ter cometido um crime, seja ele de que espécie fôr.

Ok, (não) acho bem, mas porque não elevar as coisas ao próximo nivel?

Para já era transformar as prisões em unidades hoteleiras especiais, com room-service, empregadas de limpeza, etc.

Em segundo modificar todas as celas e torná-las o mais confortável possível, atribuindo-lhes categorias de conforto e quem tivesse as penas maiores teria os "quartos" melhores.

Os directores das prisões passavam a ser gestores hoteleiros, gerindo taxas de ocupação e criando promoções quando estas se encontrassem abaixo do desejável.

Tudo seria muito mais apelativo e qualquer meliante desejaria ser apanhado em flagrante.

Era vê-los a competir para ver quem apanhava as maiores penas como forma de ficar com os melhores "quartos", tendo inclusive a possibilidade de escolher qual o estabelecimento para onde ir, de acordo com a época e promoções.

Esta ideia surgiu-me porque não consigo deixar de pensar que todas estas medidas polémicas do novo código penal são uma preparação para o futuro que se aproxima.

Criar condições para que todos os políticos corruptos que mais cedo ou mais tarde, ou talvez não, paguem por tudo o que têm feito, mas beneficiando de todas as condições favoráveis que estão a ser criadas agora pelo novo código.

Assim continuariam a beneficiar de todas as regalias que usufruem agora, mesmo estando presos.

Tudo suportado pelos nossos impostos claro.

Uma vez sanguessuga sempre sanguessuga, ou deveria baixar o nível e considerar a hipotese de usar a palavra "chulo"?!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Ah pois é...

Ao viver num país que só se indigna quando as coisas não funcionam ou não correm bem, não deixa de ser engraçado ver reportagens na TV a limpar a imagem da marinha, apenas porque ha umas semanas atrás toda a gente os criticava e apontava o dedo.

É claro que quando tudo corre bem não é necessário noticiar, não dá audiência!!

Felizmente os casos que correm mal são poucos....

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Sem margem para dúvidas...

Citando os grandes Gatos fedorentos :

"Fazer abortos em condições absoluta e completamente inpensáveis - SIM"

"Fazer abortos usando o Serviço Nacional de Saúde com todas as condições necessárias - NÃO"


Contra factos não ha margem para argumentos!!!

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Desabafos...

Vivemos numa cidade hipócrita e cínica,
em que cada um puxa a brasa à sua sardinha,
mantendo uma fachada para cada situação,
sempre com o intuito de sacar o máximo aos outros,
sempre em proveito próprio,
apoio a ideias retrogadas em nome de um deus qualquer,
mas é so fachada, pois as atitudes correctas,
ficam entre as paredes de uma igreja qualquer,
na rua que vença o melhor, venha a nós e os outros que se lixem,
personalidades contra o aborto,
personalidades a favor,
mas quando toca a todos,
é o dinheiro que fala mais alto,
não olham a meios e se tiverem que faze-lo, fazem-no,
porque podem,
porque querem,
porque estão acima das leis,
essas leis que só se aplicam ao pobre e desfavorecido,
ao que trabalha de sol a sol para ter o que comer,
todos se queixam,
uns porque correm o risco de perder as regalias que usufruiram durante toda a vida,
segurança no emprego,
impossibilidade de ser despedido,
precaridade no desemprego? irrealidade ou utopia?,
coisa de pobres,
coisa de quem não tem cunhas ou padrinhos,
coisa de quem tem que se submeter aos designios e despotismo de um patrão qualquer,
que se julga o rei deste e de outro mundo,
que manieta e joga com a vida de quem para ele trabalha,
sem pudores,
sem problemas de consciência,
sempre o lucro como primeira prioridade,
se hoje forem 100 para a rua,
se amanhã forem 200,
o que interessa é o lucro,
acumular riqueza,
sem respeito nem preconceito,
abuso sobre os direitos de cada um,
abuso sobre crianças ingénuas e desprotegidas,
uns por incapacidade de entender,
outros porque sempre viveram assim e cresceram assim,
comportamentos e costumes que deviam mudar,
mas que são aceites como normais,
a não ser que apareçam na tv, mediatizados,
com manifestações de repudio,
manifestações de apoio,
dividem-se as opiniões,
divide-se o povinho,
enquanto pensam no que matou ou abusou,
não olham para a conta bancária,
não se lembram que têm fome,
que têm frio,
que por mais que se esforçem,
só os grandes é que engordam a olhos vistos,
uma vez pobre, sempre pobre..............

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Hipocrisia...

Dois posts num só dia, pensam vocês?!

Sim, teve que ser, principalmente quando estamos praticamente a um mês do referendo para a descriminalização do aborto.

Antes de mais quero deixar bem claro que sou contra o aborto.

Dito isto, gostaria de chamar a atenção para o facto do referêndo não ter rigorosamente nada a ver com o facto de fazer ou não abortos.

Aos olhos da opinião pública mais incauta tudo parece indicar que sim, a questão em cima da mesa é permitir ou não fazer abortos.

Mas infelizmente essa não é a questão fundamental, a questão fundamental é permitir quem não tem a possibilidade de ir faze-los noutros paises ou em clínicas privadas altamente equipadas, que os possam fazer com um mínimo de cuidado de saúde indispensável.

Sim, a questão é mesmo essa, permitir ou não, que uma pessoa comum, que possua um fraco rendimento, possa usar o sistema de saúde portugues para realizar a paragem de uma gravidez.

Porque quer queiram quer não, quem tem dinheiro sempre abortou, aborta e abortará e não ha nada que possa mudar isso.

Resumindo, sou contra mas vou votar a favor, tudo o que possibilite fechar clínicas ilegais e evitar que pessoas sem um mínimo de conhecimentos ou capacidades técnicas continuem a prejudicar e a colocar em risco a vida de quem se sujeita a esse tipo de práticas.

A consciência de tais actos fica com quem os comete, para mim já é dificil ter que lidar com a minha própria consciência.

Deixem de se deixar iludir com campanhas hipócritas e abram os olhos para o verdeiro problema....

Decência...

Num país em tumultuosa mudança, em que todos os dias assistimos a coisas a fechar e coisas a mudar, umas para melhor outras para pior, 90% dos casos para pior, não posso deixar de indignar-me com o encerramento dos SAP.

À pois é, muitos deles vão encerrar, em nome de cortes orçamentais e outros que tais, a bem da baixa do défice.

Fecham-se serviços que sempre tiveram um papel fundamental durante a sua existência na ajuda às populações, facilitando o acesso aos cuidados de saúde e evitando na grande maioria das vezes o aumento da propagação das doenças e ajudando a descongestionar as urgências dos hospitais.

Mas claro, como a culpa do défice é nossa, nós que trabalhamos de sol a sol para conseguirmos pagar todos os impostos e suportar todos os aumentos e mais alguns, sejam estes decretados pelo governo, sejam decretados pela UE.

Sim porque do ministro que não fez nada enquanto ministro, ou em casos extremos, ainda fez pior do que se não tivesse feito nada, esse não tem culpa rigorosamente nenhuma.

Claro que agora, em nome da baixa radical do défice, vamos todos passar 6 ou 7 horas nos bancos das urgências até sermos atendidos e como bonus ainda trazemos uma ou duas novas doenças para alegrar as nossas existências.

Fecham-se os SAP mas aumentar o número de efectivos nas urgências dos hospitais, tá quieto oh abelha, não se pode porque seria aumentar os custos e não podemos faze-lo a bem da baixa do défice.

Assim, só me resta esperar não ficar doente nos próximos tempos e deixar os cuidados de saúde para quem realmente precisa.

Começo seriamente a pensar se não seria melhor abrirmos falência e vender o país em asta pública.

Não sei, é uma ideia....

segunda-feira, março 20, 2006

Portugal Solidário ...

Pois é meus amigos, venho apelar aos vossos corações!!

Vamos unir-nos e ajudar um artista português necessitado.

Vamos deixar entrar em nós o espírito solidário, que emana de estações de tv como a TVI, vamos ser caridosos e adoptar um artista português.

Levemo-lo para casa, lavá-lo e alimentá-lo, arranjar uma cama quente, quem sabe ao lado do sofá na sala de estar, levemo-lo à rua, pelo menos três vezes por dia e ao fim de semana uma ida ao campo para deixa-lo correr à solta e rever os amigos que não tiveram a sorte de ser adoptados.

Posso estar a ser irónico, mas nos dias que hoje correm, não posso deixar de me indignar quando constato que estão a ser criados todo o tipo de programas televisivos que servem de tábua de salvação a pseudo-artistas sem sucesso no nosso universo nacional.

A dignidade, meus amigos, é algo que deve ser preservado a todo o custo. Chamem-me antiquado se quiserem mas prefiro arrumar carros a passar por bobo da corte em reality shows, sou estúpido, é o que é, pelo menos sou forçado a admitir que posso estar redondamente enganado, pois as evidências indicam que mais vale um palhaço rico que um pobre integro.

Apelo ao regresso da Cristina Caras Lindas, essa pelo menos procurava os mais necessitados e de alguma forma tentava ajudar quem realmente precisava, como forma de atingir a fama?! talvez sim, talvez não, o mais importante é que ajudava quem pouco ou nada tinha.

Agora, ter de assistir à degradação de uma Júlia Pinheiro, que está para a madre Teresa como o George Bush está para uma criatura inteligente, a elevar artistas decadentes como se fossem a prata da casa, como se fossem a melhor coisa que temos em Portugal, convenhamos, é deprimente.

Se considerarmos que no nosso universo televisivo não temos nada realmente interessante para ver desde as 18h à 1h da madrugada, com raras excepções para o canal 2 e ocasionalmente para a rpt1, não admira que toda a gente procure séries estrangeiras, quer seja nos canais cabo quer seja em downloads ilegais na internet, tudo para fugir à estupifidicação de massas que assistimos diáriamente.

Depois admiram-se que os putos andem vestidos como rappers americanos e as miúdas cada vez mais despidas de preconceitos, que o respeito pelos outros esteja no nível mais baixo da história, que o civismo seja pura ficção, para mim, os filhos são reflexo dos pais que têm, os portugueses são reflexo do país que têm.

quinta-feira, julho 28, 2005

É bom viver no Algarve...

Pois é, tanto tempo de inactividade poderia significar o fim do Verme, mas não, infelizmente o mundo em que vivemos não permite que o Verme morra!!

Como Algarvio que sou não me canso de ouvir em como é bom viver no Algarve. Claro que este tipo de comentários vêm invariavelmente de quem não vive cá e apenas durante 10 meses por ano. Sim 10 meses, porque em Julho e Agosto, quando todos vêm transformar o Algarve num dos piores lugares para se viver, os comentários que se ouvem é que o Algarve é uma merda e não tem o mínimo de condições, e que as pessoas são antipáticas, e que isto e que aquilo, enfim, um rol de alarvidades interminável que nem vale a pena estar a descrever.

Mas há um facto de que ninguem se lembra, é que durante dois meses por ano, a população quadruplica significando que apenas 1 em cada 4 pessoas é algarvia, assim sendo de onde vem a antipatia senão dos que para cá vem passar férias?! Que nada respeitam nem ninguem!!!

Por algum acaso alguem já parou para pensar no inferno que é viver no algarve durante estes dois meses? Em que os preços triplicam, levamos horas em filas ou à procura de estacionamento, a levar com todo o tipo de agressões por parte de quem acha que estamos cá é para servir vossas excelências que estão em férias.

Ora façam-me um favor, não venham, fiquem onde estão, principalmente se pensarmos que muitos dos que para cá vêm, gastam todo o dinheiro guardado para as férias para pagar o apartamento onde ficam e depois levam o resto do tempo a comer "sandes" e a contar o resto dos centimos que lhes sobrou.

Mas se mesmo assim teimarem em vir, ao menos lembrem-se que ha pessoas que não estão em férias, que tem de trabalhar e que merecem o mínimo de respeito e consideração.

O Algarve é mau porque quem vem para cá o faz mau, porque os que cá estão apenas sofrem na pele durante dois meses, aturando todo o tipo de agressões que devassam as vidas pacatas que levam durante o resto do ano.

quinta-feira, outubro 14, 2004

Democracia?!...

Como é do conhecimento publico mundial, o mundo em que vivemos gira à volta dos E.U.A, inevitavelmente.

Todas as atitudes e comportamentos ao nivel dos chamados paises civilizados, têm sempre como base o exemplo vindo do lado americano.

Ora se assim é, não deixa, no mínimo, de ser preocupante, quando um dos braços direitos do presidente Bush, mais concretamente o Donald Rumsfeld, dá uma entrevista em que claramente diz ao publico que, ou votam no presidente Bush ou irão ter um novo 11 de Setembro.

Mais preocupante ainda, quando noutra entrevista, confunde Osama Bin Laden com Saddam Hussein.

Que mundo é este que permite declarações ditatoriais por parte de quem governa um país como os E.U.A.

Será que ja chegamos a um ponto em que realmente já ninguem liga ao poder politico e tenta viver o melhor que pode, passando por cima de toda a porcaria debitada por pseudo politicos.

Ou será que o povo está cada vez mais hipnotizado com tanta propaganda politica e lavagem cerebral diária.

Estou a desejar sériamente que aconteçam uns progressos na investigação espacial, acho que não me importava nada de mudar de planeta por uns tempos.

sábado, outubro 09, 2004

Nacionalismos...

E Viva Portugal!!!!

Pois é, chegou o Euro 2004 e toda a corja de jornalistas fartou-se de derramar rios de tinta sobre a falta de nacionalismo lusitano.

Que os portugueses não amavam a pátria, que isto, que aquilo, não se calando até que todos os portugueses, uns por consciência e livre arbítrio, outros porque ficava bem na varanda, outros ainda porque os vizinhos também tinham, resolveram todos em conjunto colocar uma bandeira de Portugal nas suas varandas.

Claro que como era de esperar, assistimos a todo o tipo de manisfestações, os mais timidos com uma pequena bandeira, os mais entusiastas como bandeiras em tudo quanto era sitio, enfim, havendo soluções para todos os gostos.

O problema é que alguem se esqueceu de explicar até quando é que as demonstrações de nacionalismo eram válidas, sim porque nos dias que hoje correm tudo tem um prazo de validade.

Assim sendo, o que vemos agora ao passar nas nossas ruas e avenidas, bandeiras desfraldadas ao vento por todo o lado e como é obvio, os portuguesinhos confusos sem saber se já é válido retirar a bandeira da varanda, ou se isso é sinónimo de anti-patriotismo.

Assim, ao que parece iremos presenciar bandeiras nas varandas até que estas se desintegrem, sim, porque acima de tudo, o que conta é ser nacionalista e aí daquele que se atreva a retirar a bandeirinha.

Isto já se parece com aquelas fitinhas brasileiras que se prendem aos pulsos e só se retiram quando estas se desfazem para que os desejos se realizem, assim irá acontecer às bandeiras espalhadas por aí.

O que só mostra que cada vez mais as pessoas agem de acordo com o lhes é imposto e não de acordo com as suas próprias consciências o que não deixa antever um futuro risonho.

sexta-feira, outubro 08, 2004

Esquecimentos...

Na agitação que é a minha vida e na falta de tempo de me dedicar ao blog, andei a cozinhar uma ideia brilhante para um novo texto.

E não é que quando chega a altura de escrever um novo post, a ideia esvai-se que nem fumo em dia de vendaval. Esqueci-me!!!!

Depois pensei, também pudera, com o país que temos, com o esforço que tem sido feito para desviar a atenção da opinião publica do que realmente é importante, vejam ha quanto tempo não se fala do caso Casa Pia, é natural que pessoas como eu, que não têm tempo nem para escrever meia duzia de linhas num blog, se esqueçam das coisas.

Se esqueçam do país onde vivem, dos compadrios entre politicos, entre grupos económicos.

Num país em que a culpa invariavelmente morre solteira, em que presidentes de câmara participam em reality shows, em que a censura anda no ar, será o meu esquecimento assim tão anormal?!